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terça-feira, 29 de junho de 2010

Apresentação


Meu nome é Grimaulde Gomes, e sou jornalista. Esse é o nosso blog Rim do Feliz, onde vamos conhecer e entender a insuficiência renal, e a hemodiálise, além de tentar desfazer o mito de que a vida produtiva de um paciente de hemodiálise acaba com o tratamento. A hemodiálise é um tratamento difícil, cansativo, muitas vezes dolorido e estressante, mas é necessário para que muitas pessoas possam continuar a viver. Segundo dados da Sociedade Brasileira de Nefrologia (SBN) , um grande número de pessoas sofre de doenças renais. Algumas apresentam doenças como diabetes e pressão alta que, senão tratadas corretamente podem ocasionar à falência total do funcionamento renal. Existem outras que quando são diagnosticadas já estão com os rins totalmente debilitados, ocorrendo neste caso o encaminhamento do paciente para a diálise. Na maioria dos casos, este tratamento acaba sendo feito para o resto da vida, caso não haja a possibilidade de se fazer o transplante.
Em todo o mundo, 500 milhões de pessoas sofrem de problemas renais e 1,5 milhão delas estão em diálise. As estatísticas revelam também que uma em cada dez pessoas no mundo sofre de doença renal crônica. De acordo com os dados, pacientes com esse tipo de doença têm 10 vezes mais riscos de morte prematura por doenças cardiovasculares. A estimativa é de que 12 milhões de pessoas no mundo morrem por ano de doenças cardiovasculares relacionadas a problemas renais crônicos.
Mais de 80% dos pacientes que fazem diálise, segundo informações da Sociedade Brasileira de Nefrologia, estão nos países desenvolvidos. Na Índia e Paquistão, por exemplo, menos de 10% das pessoas que precisam recebem algum tipo de terapia e na África quase não há acesso ao tratamento e as pessoas acabam morrendo.
O crescente número de doentes renais no Brasil já o tornou o terceiro maior mercado de hemodiálise do mundo. No Brasil a doença atinge 2 milhões de pessoas, sendo que 60% não sabem . Segundo a Sociedade Brasileira de Nefrologia, em 2005, foram 32.329 novos pacientes. A taxa de aumento de 2005 para 2006 foi estimada em 8,8%. Segundo as informações, dos 120 mil brasileiros que precisam fazer hemodiálise, apenas 70 mil estão em tratamento. Em janeiro de 2006 o número de pacientes chegou a 70.872. O número de óbitos em 2005 foi de 12.528, sendo a taxa de mortalidade de 13%.
No Brasil, 95,2% dos centros de tratamento dialítico possuem convênio com o SUS; 89,9% dos pacientes são reembolsados pelo SUS e, 12,1% dos pacientes possuem outros convênios. Os números apontam ainda que 47% dos pacientes em diálise estão na fila do transplante renal e 25% dos pacientes em tratamento, são diabéticos. Estima-se que em 2010 o número de pessoas em diálise no Brasil seja de 125 mil.
O blog é formado por matérias minhas e uma coletânea de matérias de especialistas no assunto, tanto no aspecto médico quanto social, uma vez que o paciente renal crônico vê a sua vida totalmente modificada depois de descobrir a doença. O blog é um apelo a médicos, pacientes e amigos para que conheçam mais essa doença e seu tratamento e que respeitem os nossos direitos. Antes de sermos uma atividade altamente lucrativa, que movimenta milhões não por ano, mas por mês, em todo país, somos pessoas, e não queremos ser vistos como números nem como estatísticas, mas como indivíduos que querem simplesmente ter uma vida normal.


Dessa forma, contamos com todos, renais crônicos ou não, pela luta dos direitos de todos aqueles que necessitam de um transplante de órgãos e principalmente aqueles que precisam fazer hemodiálise.
Essa é uma iniciativa da Carla, psicóloga do meu centro de diálise, o hospital Santo Antônio, em Curvelo, Minas Gerais.

Dificuldades sociais e familiares do renal crônico

O relato da experiência que apresentamos acontece na Clínica Renal Oeste no município de Chapecó Santa Catarina, que teve inicio das suas atividades em 1987, porém as atividades do Serviço Social somente tiveram inicio em 1998 a partir da Portaria 2062 decretada pelo Ministério da Saúde, a qual exige o profissional Assistente social em Clínicas de diálise.
Trabalhar com pacientes renais crônicos terminais incide em lidar com a dor, sofrimento e perdas constantes, portanto pensamos a prática social de forma interdisciplinar que vem apresentando-se como uma possibilidade de garantir uma qualidade de vida para essas pessoas.
A concepção de que o processo saúde e doença ultrapassam o aspecto biológico e envolve todo o contexto social, político e cultural do indivíduo incluindo sua família acompanham-nos desde o período de graduação na universidade, de forma que, quando tivemos oportunidade em nossa atuação profissional enquanto assistente social, em conviver com portadores de doença renal crônica (IRC), submetidos ao tratamento de hemodiálise, passamos a perceber de forma mais clara, os aspectos importantes das condições de vida dessa população que devido a sua doença, ser incurável, e o tratamento doloroso que provoca muitas limitações e alterações de grande impacto tanto na sua vida como de seus familiares.
A família necessita se reorganizar e também se adaptar, pois o paciente necessita de cuidados. Os papéis e funções devem ser repensados e distribuídos de forma que auxilie o paciente na elaboração de sentimentos confusos e dolorosos pelo processo do adoecer.
Na maioria das vezes, a rotina do paciente se restringe a consultas médicas, sessões de hemodiálise três vezes por semana por um período de 4 horas a sessão estando restritos a uma dieta e principalmente limitados a execução de tarefas que requeiram esforços físicos, pois sentem-se muito fracos e cansados. Muitos que são chefes de família e donas de casa se submetem a algumas atividades artesanais para manter o sustento da casa e da família.
Após iniciarem o tratamento, a vida social dos pacientes se altera de tal forma que ficam impedidos de viajar devido ao tratamento, deixam de visitar amigos, vizinhos, sentem-se inválidos e muitas vezes sem assunto a não ser falar de sua própria doença.

Na realidade as pessoas submetidas à hemodiálise preocupam-se com problemas muito reais, geralmente sua condição clínica é imprevisível e sentem muitas reações adversas ao tratamento e as medicações, a maioria destes apresentam depressão por viver como um doente crônico e ter medo de morrer.
Com este artigo pretendemos descrever nossa experiência profissional e algumas repercussões psicossociais causadas pela doença crônica na família.
Acreditamos que, a atuação do Serviço Social junto ao paciente em tratamento de hemodiálise, se constitui no acompanhamento do paciente no sentido de enfrentar a doença e orientar paciente e família sobre todo o processo de tratamento, e principalmente na garantia de Direitos.



DISCUSSÃO

O trabalho do Serviço Social na saúde, especificamente no atendimento ao paciente portador da doença renal crônica terminal, visa cada vez mais dar assistência integral ao paciente, aprimorando as técnicas e processos de trabalho, fundamentais para mediar os conflitos do paciente e sua família.
Quando uma pessoa possui uma doença incurável que requer tratamento de longa duração e que impõem limitações, provoca muitas alterações de grande impacto que repercutem na vida do paciente, por isso é necessário estarmos atentos na abordagem ao paciente e a família de maneira a evitar equívocos em seu tratamento, a adequada seleção de estratégias para obter o comportamento desejado, a adequação da informação a capacidade de compreensão do doente, tais fatores podem auxiliar a adesão do paciente ao tratamento, pois temos que levar em consideração que a cultura é um fator que também pode influenciar na adesão ao tratamento, pois possuem uma compreensão baseada em seu próprio sistema de crenças.

O Dr. me disse: Você tem um problema renal, terá que fazer hemodiálise”. De jeito nenhum, nunca hemodiálise eu não faço, antes disso eu me mato. Eu não faço’. Na hora me deu um choque né! Um desespero (...) Eu pensei ‘hemodiálise, puxa vida, eu vou morrer. Então eu morro antes’. Quando me disseram que eu ia fazer hemodiálise eu achei que ia morrer.
(paciente aposentado)




A fala desse paciente exemplifica a reação do abalo psicológico mencionado por Lima1 et al. diante da notícia de uma doença crônica:

Quando o diagnóstico é realizado e posta a situação de cronicidade (segundo momento), a reação geral é um sentimento de caos, de impotência. A família sente-se confusa, conturbada. Um terceiro momento surge. Esse marcado por reações no que concerne à gravidade da doença e à sua irrersibilidade. Enfim, quando a invalidez, seja ela mínima ou grave, é admitida, pode sobreviver uma depressão apoiada simultaneamente numa agressividade intensa ou em reações de luto (p.87).

A experiência como profissionais atuantes ao cliente renal no contexto da hemodiálise, nos permite perceber que não só o paciente é abalado pela doença, mas também toda sua rede de relações que estabelece principalmente o ciclo familiar que se esforça para se adaptar a situação, pois esta modalidade terapêutica apresenta-se como um evento inesperado pelo paciente que o remete a uma relação de dependência a uma equipe especializada, a vários medicamentos diários e principalmente a dependência a uma máquina para sobreviver.
Quando uma pessoa, que sustenta a família, é acometida pela doença renal, ocasiona interferência no trabalho tendo que se afastar dele, alguns muitas vezes sem qualidade de segurados pela Previdência social ficam a mercê, tendo que ser sustentados por familiares essa falta de recursos econômicos, e os gastos com a medicação, exames que muitas vezes não são fornecidos pelo Sistema Único de Saúde (SUS) consequentemente ficam desesperados e desanimados com vontade de abandonar o tratamento.
Cabe ao Assistente Social nesta perspectiva mediar junto aos gestores de saúde, possibilidades de atender esse paciente que possui suas particularidades por ter uma doença séria e que requer constante controle.
No contexto das atribuições e dos desafios que vem sendo reiteradamente colocados ao serviço social é notório que temos que repensar a cada dia nossas praticas profissionais para atender e dar respostas condizentes aos nossos usuários.
Devemos observar no entanto que construir esse pensamento do Serviço Social na área da saúde impõem coloca-lo no âmbito da discussão interdisciplinar permitindo dar concretude, direcionalidade e visibilidade à profissão. Essa discussão torna-se fundamental para impulsionar a transformação das práticas profissionais na área da saúde como afirma Merhy2:

Nestes muitos anos de militância e acumulação de experiências vivenciadas na busca da mudança do modo de produzir saúde no Brasil, aprendemos que: ou esta é uma tarefa coletiva do conjunto de trabalhadores de saúde, no sentido de modificar o cotidiano do seu modo de operar o trabalho no interior dos serviços de saúde, ou enormes esforços de reformas macro-estruturais e organizacionais, nas quais temos metido, não servirão para quase nada.


Retomando sobre atribuições, cabe ao Médico prescrever a medicação, a Enfermeira orientar sobre o tratamento, a Nutricionista sobre a dieta e a ingesta hídrica e ao Serviço Social o papel de proporcionar informação e esclarecimento quanto ao quadro clínico do paciente promovendo seu bem estar; Traduzir aos demais membros da equipe de trabalho os aspectos sociais do paciente para haver melhor condução nas intervenções profissionais; Levantar perfil do paciente com IRC; Solicitar medicamentos através de processos encaminhados a Secretaria Estadual de Saúde; Entrevistar e Orientar pacientes em início de tratamento; Viabilizar o transporte para tratamento; Realizar visitas domiciliares; Agendar consultas com outras especialidades; Encaminhar para exames de Transplante Renal; Organizar transferência de pacientes para outras clinicas; Controlar o protocolo de transplante com equipe de enfermagem; Encaminhar o paciente para acessar seus recursos sociais ou previdenciários; Realizar atendimento ambulatorial e hospitalar.
Outro compromisso que temos com o paciente é o de planejar intervenções educativas sobre higiene, alimentação e aderência ao tratamento para que o próprio paciente também assuma os cuidados e o controle sobre seu próprio tratamento.
Ao considerar a prática do assistente social junto aos pacientes renais e seu grupo familiar, é oportuno destacar os desafios encarados pelo profissional na sistematização de suas ações baseadas num referencial teórico metodológico que fortaleça o usuário no acesso e no processo de mudanças da realidade na qual se insere, capacitando-os para ampliação dos direitos e efetivação da cidadania.
Como forma sistematizada de intervenção, o profissional poderá a partir de sua concepção política, operacionalizar os elementos que darão suporte teórico para a sua práxis, no sentido de criar possibilidades aos pacientes, a compreender a relação homem/mundo tornando-se capazes de desvelar as determinações da realidade imediata onde os problemas percebidos como síntese de múltiplos fatores que precisam ser objeto de intervenção.
O Assistente social no campo da saúde requer uma análise muito mais ampla da realidade social desses sujeitos desprovidos socioeconômicos para manter-se enquanto pessoas titulares de direitos já que a própria patologia os deprimem e desmotiva pelo tratamento imposto.
Pressupõem-se então que esses indivíduos estão inseridos numa dinâmica contraditória em que o antagonismo da classe é visivelmente presente na sociedade deixando óbvio a igualdade perante a lei, mas também a desigualdade das relações sociais. Nessa perspectiva um dos desafios claramente percebido no cotidiano diz respeito a falta de prioridades no que concerne aos recursos disponíveis ou seja, o acesso aos benefícios assistenciais que dêem suporte ao tratamento do doente.
No que diz respeito a família, a sua participação em todo o processo do tratamento torna-se essencial, uma vez que o paciente se sentirá apoiado e seguro para dar continuidade ao tratamento. Trabalhar com família nessa perspectiva é sobretudo, trabalhar as relações tendo em vista reforçar os vínculos afetivos, esclarecendo todo o processo de tratamento do paciente e possíveis intercorrências, assim como promover paralelamente reflexões acerca dos aspectos sociais que envolvem a vida do paciente.
Nesse sentido ressalta-se a necessidade do Assistente Social propiciar condições de esclarecimento e comunicação para seus usuários compreendendo a individualidade do ser social e seus determinantes estruturais diante das relações sociais.
Tais considerações se fazem necessárias no trabalho dos profissional a partir do momento que resgata os determinantes históricos que estão presentes nas particularidades de cada paciente, que não podem ser vistas apenas em sua representação imediata, mas convertidos em situações concretas, a partir da construção de suas determinações por uma teia de mediações suficientemente capazes de recuperar a importância do individuo sem perder de vista a dimensão da totalidade.


CONCLUSÃO

Durante o desenvolvimento deste artigo, constatamos a escassez de pesquisas que valorizem a perspectiva do indivíduo com IRC e seus familiares, especialmente no que se refere à questão da intervenção no serviço social nesta temática.
Através deste levantamento, pôde-se entrar em contato com as reações que a doença crônica traz para a família. Tal constatação permite concluir que o profissional assistente social se faz importante, pois auxiliará ao promover orientação e suporte para adaptação, uma vez que o adoecimento crônico acarreta situações de crise, limitações e perdas que irão influenciar na estrutura familiar. Utilizamos também de algumas narrativas de pacientes buscado compreender, o significado por eles atribuídos à hemodiálise e o impacto dessa modalidade em suas vidas.
Outra constatação é que infelizmente a atualidade nos mostra que muitos profissionais de saúde, ao invés de direcionarem sua atenção para a pessoa doente, focalizam a doença da pessoa , perpetuando assim o reducionismo do modelo biomédico. O desafio é justamente libertar os profissionais da saúde dessa preocupação mórbida em relação aos processos do corpo e a visão técnica reducionista e desumanizante do tratamento.
Concordamos com Barbosa3 et al. quando ressaltam a necessidade dos profissionais de saúde compreenderem os pacientes em programa de hemodiálise, como um tratamento considerado inevitável, inadiável e que tem conseqüências diretas por toda a vida do paciente, evitando assim serem agentes desencadeadores de novos conflitos e tensões.
Todas as pessoas possuem a sua história de vida. A relação entre profissionais e o individuo doente é, antes de tudo uma relação interpessoal. Nesse contato, as histórias se cruzam, se encontram se completam, se confundem. Em alguns momentos, profissional e paciente constroem juntos uma nova história, uma história viva.
O assistente Social assim como toda equipe multidisciplinar deve estar atenta às necessidades da família, pois o adoecer possui para cada membro um significado que deve ser levado em consideração e o impacto da doença crônica é sentido por todos .


REFERÊNCIAS

1. Lima A.M.C, Mendonça Filho J.B, Diniz J.S.S. Insuficiência renal crônica – a trajetória de uma prática. In: Romano BW (org.). A prática da psicologia nos hospitais. São Paulo: PioneiraThomson Learning 1995:77-92.

2. Merhy E. E. Em busca do tempo perdido: a micropolítica do trabalho vivo em saúde. São Paulo: Hucitec 1997:72.

3. Barbosa J.C, Aguillar O.M, Boemer M. R. O significado de viver com a insuficiência renal crônica. Revista Brasileira de Enfermagem 1999;52(2):293-302.

4. Bravo M. I. de Souza. Serviço Social e Reforma Sanitária, lutas sociais e práticas profissionais. Rio de Janeiro: Cortez e UFRJ 1996.

5. Costa M. D. H. O trabalho nos serviços de saúde e a inserção dos (as) assistentes sociais. Revista Serviço Social & Sociedade . São Paulo: Cortez 2000;(62).

6. Cohn A. et al. Saúde como direito e como serviço. São Paulo: Cortez. 1999;(2):164.

7. Coutinho C. N. Representação de interesses, formulação de políticas e hegemonia. In Teixeira, S.F. (org.) Reforma Sanitária: em busca de uma teoria. São Paulo: Cortez; Rio de Janeiro:Abrasco, 1989.

segunda-feira, 28 de junho de 2010

História da Diálise Domiciliária

Em 1960 o Dr. Belding Scribner a trabalhar em Seattle, Washington desenvolveu um pequeno shunt que ligava uma artéria a uma veia (o shunt arterio-venoso). Este permitia o acesso à circulação sanguínea de uma forma continuada no tempo, tornando possível a realização da diálise por tempo indefinido.

O primeiro doente a fazer diálise, era um maquinista da Boeing de nome Clyde Shields, que permaneceu em diálise durante mais de 10 anos. Logo se seguida mais 3 doentes iniciaram diálise. Com excepção de um doente que faleceu de complicações cardiovasculares alguns meses após iniciar diálise, todos os outros sobreviveram em diálise por longos anos.

Desde então era possível substituir um órgão vital de modo a sustentar a vida por um período de tempo indefinido. Isto ajudou a catapultar a diálise para a posição de um dos maiores avanços médicos do sec XX, e tornou possível para os Insuficientes Renais (IRC) a possibilidade de uma nova vida, que sem tratamento seguia o curso natural para a morte.

A história da Diálise Domiciliária (HDD) confunde-se com a história da própria Diálise
Dr. Belding Scribner

O desenvolvimento da diálise iniciou-se com apoios para investigação, de modo que fornecer diálise a mais doentes obrigou a uma recolha de fundos em outras instituições publicas e privadas. Em virtude da escassez destes recursos a entrada em diálise estava restrita apenas a alguns doentes que obedeciam a critérios muito apertados, definidos por comissões médicas e de aceitação. Foram tempos difíceis para a comunidade dos médicos que tratavam estes doentes e mais para os próprios doentes.

Uma jovem, de nome Carolina de 16 anos, que sofria de lúpus eritematoso e tinha sido rejeitada para fazer diálise, levou Dr Scribner e o seu Engenheiro Dr Babb a encetarem uma corrida contra o tempo afim de prepararem uma máquina e tratamento de águas que pudesse ser levada para casa, que fosse segura e permitisse ser operada pela mãe de Carolina. Isto foi bem sucedido, e a Carolina foi colocada a fazer diálise no domicilio, onde fez diálise durante mais de 5 anos.

Clyde Shields

Depois desta experiência, outras se seguiram, e rapidamente se apercebeu que fazer diálise em casa era possível, seguro e alem do mais, permitia uma melhor reabilitação. Dado ser mais económica, ir para casa permitia oferecer diálise a mais doentes. Popularizou-se então a expressão "ir para casa ou ser transplantado".
Rapidamente cresceram os programas de diálise em casa. Em Seattle é transformado um motel num local de ensino para diálise domiciliária, o Coach House Motel. Ai foram ensinados muitos doentes de todo os EUA e de alguns países da Europa e Ásia.

A Jovem Carolina

No inicio da década de 70, uma grande parte dos doentes IRC praticavam diálise no domicilio, 40% nos EUA, 60% na Inglaterra, 50% na Austrália e Nova Zelândia e cerca de 20% em muitos Países da Europa. Portugal passou ao lado deste fenómeno.

Em 1972/1973 o Governo dos EUA aprova a comparticipação da diálise, e a partir daqui surgem por todo os EUA centros de diálise privados, o que veio a permitir o acesso quase universal ao tratamento, mas por outro lado desincentivou a ida para o domicilio. A Diálise Peritoneal, outra modalidade de diálise no domicilio, que era mais simples e fácil de aprender começou a estar disponível. Por estas e outras razões, a diálise domiciliária entrou num franco declínio, atingindo menos de 1% da população em diálise no ano de 2004. Apenas a Austrália e a Nova Zelândia dos Países mantiveram números expressivos de doentes no domicilio, entre os 25 e os 50%.


Gráfico dos pacientes que faziam diálise em domicílio na Austrália e Nova Zelândia.

Evolução dos pacientes de diálise em domicílio

Apesar deste declínio sempre existiram regiões em diferentes Países do mundo que mantiveram um grande numero de doentes em diálise no domicilio, confirmando os melhores resultados com esta modalidade de tratamento, como seja a melhor Reabilitação, uma mais baixa taxa de hospitalizações e uma mais baixa mortalidade.

Nos últimos anos, principalmente com novas máquinas mais apropriadas ao domicilio, esta modalidade de diálise parece estar em franca expansão, e as grandes companhias de diálise estão a ver nela um segmento de mercado aonde vale a pena investir.

O ressurgimento da diálise no domicilio está em curso.

A Nova Máquina de hemodiálise NXSTAGE está no mercado desde 2006

Uma máquina portátil para hemodiálise está em fase final de testes com pacientes nos Estados Unidos. Novos materiais permitiram a construção de filtros menores, muito mais compactos do que os utilizados nos equipamentos hospitalares. Batizado de NxStage System One, o equipamento, que pesa 30 quilos, pode ser usado tanto na casa do paciente como durante viagens, eliminando as idas freqüentes ao hospital para sessões que duram, em média, de três a quatro horas para filtragem do sangue. A sessão com a nova máquina demora cerca de duas horas e meia. A empresa NxStage, responsável pelo desenvolvimento, pretende colocar o produto no mercado em 2006, se até lá tiver sido liberado pela Food and Drug Administration (FDA), a agência norte-americana para medicamentos e alimentos.

Primeiros pacientes de hemodiálise em domicílio NxStage comemoram aniversário de cinco anos

LAWRENCE, Mass., 6 de janeiro /PRNewswire-FirstCall/ -- A NxStage Medical, Inc. (NASDAQ:NXTM), principal fabricante de produtos de diálise inovadores, anuncia hoje que um grupo de seus primeiros pacientes está comemorando seu quinto aniversário de tratamento doméstico da hemodiálise com o NxStage(R) System One(TM), a primeira máquina de hemodiálise em domicílio realmente portátil. Todos os quatro pacientes elogiam a melhoria da qualidade de vida, caracterizada por saúde e bem-estar melhores.

Como os primeiros adotantes da hemodiálise doméstica diária com o NxStage System One, todos os pacientes tomaram a decisão de tentar o NxStage nas diversas etapas de seu tratamento. Todos os quatro pacientes são acompanhados pelos Satellite WellBound Centers, parceiro da NxStage que desenvolveu o primeiro programa no estudo clínico IDE da NxStage em 2003. Esses pacientes -- Craig, Everett, Carl e Susan -- iniciaram treinamento com o NxStage System One em 8 de dezembro de 2003.
Fonte: NxStage Medical, Inc.

03/11/2008 /PRNewswire do Brasil/ -- Número de pacientes que adotam a terapia diária em domicílio continua a crescer; dados positivos apóiam aceitação por parte da comunidade de doentes renais em estágio terminal.

A NxStage Medical, Inc. (NASDAQ:NXTM), líder em fabricação de produtos de diálise inovadores, anuncia hoje que 3.000 pacientes com doença renal em estágio terminal agora recebem terapia usando o sistema NxStage(R) System One(TM), o primeiro equipamento realmente portátil de hemodiálise em casa. O marco mais recente representa crescimento de 35% de adoção por pacientes desde o fim de 2007. O NxStage System One agora está disponível em centenas de centros de diálise em todos os EUA.
Fonte: NxStage Medical, Inc.

Imagens e gráficos sobre hemodiálise

Imagens e gráficos sobre hemodiálise

MUitas pessoas têm curiosidade de saber como se procede a hemodiálise. Essas imagens vão ajudar muito.


Hemodiálise de cães e gatos




A hemodiálise é um método de depuração do sangue, utilizado para limpar as impurezas acumuladas em casos de doença renal aguda e crônica (Uremia).
Animais com uréia acima de 150 mg/dl ou creatinina acima de 4,0 mg/dl devem ser encaminhados para evitar os efeitos danosos da uremia em outros órgãos, aumentando as chances de recuperação do paciente renal.
A HEMODIÁLISE é hoje uma realidade na medicina veterinária. Ela se destina a tratar animais que apresentem insuficiencia renal aguda, crônica e crônica agudizada. A HEMODIÁLISE SEMPRE FUNCIONA!.
O objetivo da hemodiálise é o de retirar toxinas que se encontram acumuladas no organismo do animal. São estas toxinas que afetarão os outros sistemas orgânicos (estômago, intestinos, cerebro, coração, figado etc... levando ao óbito. Ao proceder com a hemodiálise,o veterinário está ganhando tempo , evitando que o organismo entre em falencia e proporcionando uma maior possibilidade de recuperação total ou parcial dos rins.Além disso, ganha-se tempo também para tratar AS CAUSAS da insuficiência renal.
Diferente de seres humanos, a maioria dos animais NÃO FICA DEPENDENTE DA HEMODIÁLISE. Com o correto diagnóstico e tratamento, um grande numero de animais recupera alguma função renal ,podendo voltar a ter uma vida normal, com qualidade, sem ficar dependente da hemodiálise.Além disso, o custo do tratamento hoje em dia é bastante acessivel.
Cada sessão custa R$ 300,00 reais e os animais precisam em media de 2 à 4 sessões para sairem da agudização e poderem voltar ao seu clinico veterinario para tratamento conservador.
Alguns poucos pacientes que se tornam pacientes com rim terminal ( quando o rim não possui mais capacidade de depuração para manter o animal vivo), podem ser submetidos à confecção de uma fistula arteriovenosa e mantidos em hemodialise 1 à 2 vezes por semana com boa qualidade de vida.

Diálise Peritonial Ambulatorial Contínua (DPAC ou CAPD)
A Diálise Peritoneal Ambulatorial Contínua é também conhecida como CAPD ou DPAC é a forma mais comum de diálise peritoneal e especialmente indicada para pacientes idosos, filhotes ou aqueles para os quais a hemodiálise não é conveniente ou possível. Este tipo de diálise, não precisa de máquina.

O sangue durante a CAPD está sendo depurado o tempo todo.

A solução de diálise vai de uma bolsa de plástico através do cateter até a cavidade abdominal e aí permanece por algum tempo. A solução é então drenada e uma nova solução volta a encher o abdômen, recomeçando o processo de depuração.

Lembre-se, um fator muito importante para o bom resultado desta diálise é o treinamento do médico veterinário responsável pela diálise, pois a inserção do cateter no abdômen deve ser feita com perícia e extrema cautela e cada momento de troca entre as bolsas de solução de diálise deve ser cuidadosamente executado para que se evitem as infecções.

domingo, 27 de junho de 2010

NOVA MÁQUINA DE HEMODIÁLISE – NÃO É MENTIRA

Vasculhando a a internet atrás de novidades a respeito do tratamento renal, me deparei com a seguinte notícia:

“Máquina de hemodiálise portátil dará liberdade aos pacientes

Pesquisadores da Universidade de Indiana, Estados Unidos, anunciaram estar finalizando os testes de campo em uma nova máquina portátil de hemodiálise. O equipamento já passou por todos os testes preliminares e a avaliação na residência de pacientes é o último passo para que ela possa chegar ao mercado.
Batizada de NxStage System One, a máquina pesa apenas 30 quilos, permitindo que os usuários as utilizem tanto em casa como em viagens. Novos materiais permitiram a construção de filtros menores, muito mais compactos do que os que equipam os equipamentos hospitalares atuais, mas com uma eficiência até superior.
O Dr. Michael A. Kraus, afirmou que os pacientes tratados em casa apresentam pressão sanguínea mais estável e todos eles reduziram ou eliminaram completamente os medicamentos para pressão. As taxas de anemia declinaram e o apetite aumentou.
Mas o maior impacto da máquina portátil de hemodiálise deve ser mesmo a qualidade de vida, eliminando a necessidade do deslocamento contínuo ao hospital.
Fazendo o tratamento em casa, a maioria dos pacientes poderá trazer a normalidade de volta às suas vidas e até mesmo voltar a trabalhar ou estudar. A sessão completa de hemodiálise, com a nova máquina, leva cerca de 2 horas e meia.
Para detalhes adicionais, visite a página da empresa NxStage, que os cientistas fundaram para fabricar a nova máquina (ver endereço no quadro Para Navegar).”

Mostrei ao doutor Eduardo Godoy, que é chefe do meu setor de hemodiálise, e ele jurou que é mentira, que nunca poderá existir uma máquina desse tamanho, e o que interessa é o filtro e não a máquina, e que se houvesse uma máquina dessas, o hospital Santo Antônio já teria comprado. Será?. Pois bem, entrei no site da empresa NxStage, www.nxtage.com e verifiquei que apesar de muito eficiente em sua área, o nosso médico está redondamente enganado. O pouco que posso ler em inglês me permitiu entender perfeitamente que a máquina, pouco maior que uma caixa de sapatos é real, que o período de diálise é de duas horas, e que pode ser feito diariamente na própria casa, sem exigir muito investimento em estrutura. Só é aconselhável que a pessoa não não faça diálise sozinha. A pergunta que faço é por que essas maravilhas, que poderia facilitar imensamente a nossa vida, são escondidas de nós? Um motivo poderia ser por exemplo o valor da hemodiálise, que nunca nos foi falado nem por médico, nem por enfermeiro(a), mas que fica em torno de R$ 330,00 por sessão, segundo o site MED on line(www.medoline.br), ou seja, um dinheirão que os hospitais irão perder se divulgarem essa nova tecnologia, que aliás, nem é tão nova assim, porque a notícia é de 2005, o que se sugere que, na velocidade com que as coisas vão evoluindo, possivelmente já exista coisa melhor. Aos nossos médicos, só um conselho: “Parem de se achar uma sumidade, e procurem se informar mais.”


Essa é a máquina que não querem que conheçamos.

quarta-feira, 23 de junho de 2010

Rim do Feliz:

Rim do Feliz:

HISTÓRIA DA HEMODIÁLISE

A história da hemodiálise pode considerar-se ter começado, quando em 1830 um físico Inglês chamado Thomas Graham, verificou, separando dois líquidos com substâncias dissolvidas numa membrana celulósica, estabelecia troca entre elas.

Nesta experiência ou fenómeno, o físico chamou-lhe “Diálise” e às membranas com estas características “semi- permeáveis”.

Mas só passado oitenta anos, este princípio físico já aplicado à experiência anima .
Em 1913 na América, John Abel Idealizou e utilizou nos cães sem rins, o primeiro ” rim artificial”.

Tinha a composição de uma série de tubos de celulose mergulhados em soro fisiológico que era por onde circulava o sangue dos cães.

É obvio que surgiram problemas técnicos que desmotivaram esta experiência:

Fragilidade das membranas que provocavam rupturas frequentes;
Não existia a heparina, pois aconteciam acidentes, como a coagolação do sangue consecutivamente;
Matérias mais grossas e as possibilidades de esterilização provocavam sistemáticas infecções.


Em1917, na 1ª. Guerra Mundial, a terrível visão de doentes em urémia pela Insuficiência Renal Aguda, levou que o Alemão Georg Haas viesse a mudar o protótipo do “rim Artificial” do seu colega John Abel. Aumentou mais área ás membranas, que após, consegui esterilizar os componentes todos do circuito extracorporal com etanol.
Finalmente em 1926 aventurou-se a utilizar a diálise pela primeira vez no ser humano, quando apareceu um caso de urémia.

Esta primeira experiência no ser humano, consistiu em retirar ½ litro de sangue ao doente ( o volume necessário para preencher o circuito ), e ao fazê-lo circular pelos tubos meia hora banhados com o soro e reinfundi-lo novamente no paciente, claro está que não foi obtido qualquer resultado positivo. Esta passo foi permitir para que Georg Haas repetisse em 1928 o método e começou por fazê-lo pela primeira vez com a heparina, ao qual foi feita com 9 passagens e não uma como anteriormente fez.

Durante certo período foram feitas tentativas, como por exemplo intestinos de galinha, para encontrar materiais mais adequados.
Em meados de 1936 quando se iniciou a comercialização de celofane, este veio dar um impurrão para a melhoria da diálise. Foi neste mesmo ano que foi possível aplicar a diálise ao ser humano com alguma segurança.
Durante a segunda guerra mundial (1940), o Holandês Kolff (considerado por alguns o Pai da Hemodiálise) fez um “Rim Artificial” que consistia num tubo de 40 metros de celofane que enrolado num cilindro que rodeava um tanque que continha uma solução.

O sangue do doente circulava dentro do tubo e a cada rotação do cilindro dentro do tubo mergulhava no tanque.
Por meados do ano de 1943, Kolff, utilizou pela primeira vez este “Rim Artificial” num paciente com Insuficiência Renal Aguda. Este método de Diálise foi igual ao que fez inicialmente, por Geogr. Haas; 0,5 L. de sangue do doente que circulava no dito “Rim Artificial” e que de seguida era reifundido novamente.

O Rim de Kolff, tinha uma inovação em que o sistema de propulsão do sangue no circuito (com adaptação de uma bomba de água de um automóvel), permitiu pela primeira vez que fosse utilizada num doente a diálise contínua. Puncionava-se uma artéria e uma veia, e o sangue circulava continuamente.
O problema de maior que acontecia era que cada vez que se fazia este tratamento era necessário uma nova artéria e nova veia. O doente que fez esta “experiência” viria a falecer no 26º dia após este tratamento.
O ano de 1945 foi o que marcou a sobrevivência do primeiro paciente do “rim artificial” de Kolff, com uma insuficiência renal aguda, que consegui alcançar a durabilidade de uma sessão de hemodiálise de 11 horas e no futuro recuperou a sua função renal. Altura esta que em todo o Mundo mais ou menos cerca de 20 doentes tinham feito tentativas de diálise.

Kolff escreveu ; <<… em casos de insuficiência Renal crónica (irreversível) não há indicação para tratamento pelo “rim artificial”>>.
Nos meados dos anos 50 a hemodiálise ainda era considerada experimental, que se fazia em meia duzia de hospitais e com resultados duvidosos.

Muitos problemas iniciais subsistiam:

O celofane ser mais resistente do que o celulose, ainda era frágil praticamente nada se conhecia das suas características dialiticas;
A heparina não se podia utilizar à vontade;
Recentemente o plástico tinha sido introduzido, certas estruturas eram de borracha (metal ou vidro) certas peças eram utilizadas várias vezes, pois não havia a industrialização e a esterilização era deficiente;
As estruturas dos dializadores implicava volumes grandes para os preencher, que por seu lado obrigava antes de iniciar os tratamentos de enchê-los com sangue de dadores, pois daí acarretavam todos os riscos;
Também conhecia-se pouco sôbre o que era uma Diálise eficaz e mesmo sôbre os principais problemas que diziam respeito à Insuficiência Renal Crónica;
O acesso vascular, ainda não era permanente.
Foi só em 1960, Scribner e Quinton descreveram um dos marcos históricos, senão o maior (na altura) no tratamento da Insuficiência Renal Crónica, pela hemodiálise: o ” SHUNT ” arterio-venoso externo permanente.

A partir daqui foi possível fazer os tratamentos múltiplas vezes. Daqui também foi possível fazer uma avaliação regular aos mecanismos íntimos da hemodiálise como também tecnológicos no que respeita aos dialisadores.
O SHUNT na altura tinha as suas deficiências, como infecções e coagulações.

Foi só em 1960 que começou o primeiro doente com Insuficiência Renal Crónica a ser tratado em Hemodiálise regular, uma e duas vezes por semana.

Entre 1960 e 1965, desenvolveu-se os dializadores “COIL” (tubo celofane enrolado em espiral) e do tipo KILL (Placas de Celofane paralelas).

Por volta de 1965 o celofane foi substituido por outro derivado celulósico – cuprofano – com melhores características de resistência, com capacidade para dialisar as substâncias tóxicas.

Nos finais do ano de 1965, na Europa, havia apenas 150 doentes com Insuficiência Renal Crónica (não esquecer que aqui não são referidos os milhares que morreram por falta de tratamento e outros pelo desconhecimento médico à data), os atrás referidos eram aqueles que contabilizados eram já tratados pela hemodiálise regular.

Em 1966, outro grande passo foi dado: CININO e BRESCIA criaram cirúgicamente a fístula arterio—venosa interna, que consiste numa pequena comunicação, inferior a 0,5 cm, directa, entre uma veia e uma artéria. Deste modo, uma quantidade razoável de sangue arterial é desviada para a circulação venosa dessa região. Só existido uma diferença ao contrário do Shunt, enquanto este pode ser usado de imediato, a fístula precisa de “amadurecer” e só deverá ser picada uma semana, ou melhor ainda, três a quatro semanas após a sua confecção.

Fonte: http://www.adrnp-centro-social.rcts.pt/pioneiros.html